29 maio 2011

Consumo de álcool em escola privada


Consumo de álcool sobe na escola privada


O consumo de álcool pelos alunos da rede escolar privada é maior em relação aos estudantes das escolas públicas, segundo levantamento da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), envolvendo 50.890 estudantes de 10 a 19 anos do País.
Entre os mais novos, de 10 e 12 anos, 27,9% das crianças da rede pública experimentaram bebida pelo menos uma vez ante 38,5% dos matriculados em colégios pagos. De 13 a 15 anos, o 60,3% dos estudantes da rede pública tinham consumido álcool – 12% a menos que entre os jovens do ensino privado.
Segundo especialistas, frequentemente o primeiro contato com a bebida ocorre nas festas de fim de ano e com a permissão dos pais. “As crianças começam a ingerir bebida alcoólica principalmente nas festas de Natal e ano-novo, incentivadas pelos pais, como brincadeiras”, afirma a psicóloga Alessandra Licco, que está se especializando em Saúde Mental de Crianças e Adolescentes pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Alessandra participou de um estudo que mostrou o aumento da incidência de bebidas alcoólicas em crianças no Brasil e na Espanha. De acordo com a psicóloga, há pais que molham a chupeta dos bebês na bebida. “Às vezes, o primeiro contato com o álcool começa antes mesmo dos 11 anos”.
Segundo o estudo, na faixa que vai dos 10 aos 12 anos quase 40% das crianças brasileiras matriculadas em escolas particulares consumiram bebida alcoólica ao menos uma vez em sua vida. Entre os 13 e os 15 anos, a ingestão de álcool, pelo menos uma vez, aumenta para 72% dos estudantes da rede particular.
Nesta sexta-feira, 17, o JT mostrou que 54,9% dos alunos da rede privada já usaram drogas psicotrópicas (crack, maconha ou cocaína) ao menos uma vez ante 40,3% da pública.
Para compor o 6º levantamento nacional sobre o consumo de drogas psicotrópicas entre estudantes do ensino fundamental e médio da rede pública e privada, foram ouvidos alunos das 26 capitais e do Distrito Federal, sendo 31.280 (61%) de escolas públicas e 19.610 (39%) das particulares.
Para a psicóloga Alessandra Licco, uma das explicações o uso do álcool entre crianças e adolescentes está na afirmação de sua personalidade. “A partir dos 13 anos, o jovem quer se contrapor aos pais e tendem a agir de modo contrário às orientações que recebeu”, afirma. “Mas os pais que bebem são modelos a serem copiados. Nessa fase, podem achar interessante e copiar”.
O consumo precoce de álcool pode afetar a formação neurológica das crianças e dos adolescentes e prejudicar o desempenho na escola e sua formação profissional, de acordo com a psicóloga.
Em 12 meses
Se o contato com a bebida alcoólica apresenta variações consideráveis entre alunos dos colégios particulares e públicos, as distâncias encurtam quando a pergunta do estudo se refere ao consumo nos últimos 12 meses. Ainda assim, as escolas particulares apresentam os maiores índices.
Na faixa de 10 a 12 anos, 19,3% dos alunos das instituições privadas fizeram uso de bebida alcoólica ao menos uma vez no último ano ante 14,1% daqueles matriculados em escolas públicas.
Entre os adolescentes de 13 a 15 anos, que ingeriram bebida alcoólica nos últimos 12 meses, 54,8% são de escolas particulares e 40,3% são da rede pública.


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