29 maio 2011

Maus tratos a dependentes químicos e Alcoólicos

Uma clínica particular para recuperação de dependentes químicos e alcoólicos de Londrina (PR) poderá ser interditada após denúncias de maus-tratos a pacientes. O pedido de interdição do Centro de Recuperação Libertad foi feito pelo Ministério Público em razão da prática de violência física e psicológica contra os internos. Na ação, a Promotoria diz que o centro mantém pacientes em situação de cárcere privado e utiliza medicamentos de uso controlado sem prescrição médica.
Na ação do promotor Paulo Tavares, de Defesa da Saúde Pública em Londrina, há depoimentos de 14 ex-internos no centro, de ex-funcionários e de familiares dos dependentes.
Os depoimentos, segundo Tavares, comprovam que os pacientes são "agredidos física e psicologicamente, inclusive com trabalhos forçados que ofendem a dignidade humana".
O coordenador da clínica, Moacir Mansur Marum, nega as acusações. Segundo ele, o que há é "perseguição" por parte do promotor.
Nos depoimentos anexados à ação, a qual a Folha teve acesso, são descritos castigos como manter um paciente por cinco dias em uma sala fechada, por exemplo. Outro caso relatado é de um adolescente que foi obrigado, com uma colher de cozinha, a fazer um buraco no solo do seu tamanho, como medida educativa.
A gerente de Saúde Mental da Secretaria Municipal da Saúde de Londrina, Ângela Lima, diz que a clínica vem sendo investigada há um ano. "O caso do Centro Libertad serve como reflexão sobre como funcionam as comunidades terapêuticas no Brasil." Segundo ela, existe hoje "um vácuo no acompanhamento por parte do Estado dessas comunidades, especialmente as particulares".
O Centro de Recuperação Libertad cobra, em média, R$ 600 por paciente. Atualmente, há 80 homens e 20 mulheres na clínica.
O presidente do Cemad (Conselho Municipal de Políticas Públicas sobre Álcool e outras Drogas), Carlos Roberto de Souza, diz que o conselho tem condições de encaminhar os pacientes para outras clínicas caso o pedido de interdição seja aceito pela Justiça.
O promotor pede a abertura de inquérito policial para investigar as denúncias de maus-tratos, lesões corporais e cárcere privado no local.

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