20 maio 2011

A Mulher e o Álcool




O número de mulheres alcoólicas aumentou cerca de 30% nos últimos anos. Com um detalhe: nelas a doença se manifesta de forma mais grave e precoce.
Além disso, o preconceito contra a mulher dependente é muito maior. Muitas mulheres vêm procurando na bebida solução ou alívio para seus problemas pessoais. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o número de alcoólicas do sexo feminino aumentou assustadoramente nos últimos anos no mundo todo, e no Brasil não é diferente. Da década de 70 para cá, a proporção de mulheres alcoolistas subiu cerca de 30%.
Alcoolismo é uma doença grave, que se manifesta de forma diferente em homens e mulheres. Existem várias causas para o aparecimento do problema, entre elas as genéticas, as psicológicas e aquelas desencadeadas por fatores externos (como a perda do emprego, uma desilusão amorosa, etc.). Famílias inteiras, incluindo pais, mães, filhos, têm sua psiquê destruída quando obrigadas a conviver com um/a alcoólico/a. Se o personagem em questão for mulher, considerada a pilastra responsável pela estabilidade do lar, os resultados, ou pelo menos a aceitação por parte da sociedade, costumam ser mais devastadores do que se o problema da bebida estivesse concentrado na figura do pai. "Quando comecei a beber, não me considerava uma alcoólica nem imaginava o quanto isso afetaria o meu relacionamento com meus filhos. Até hoje eles são meio neuróticos em relação à bebida. O mais velho, com 25 anos, não toma nem uma cervejinha", diz K.L., que abandonou o vício há dois anos, depois de perder o emprego como secretária executiva em uma multinacional devido a suas constantes bebedeiras.
Segundo o pensamento clássico, o alcoolismo é caracterizado por sintomas particulares. Um deles é a negação: se você acha que não é alcoolista, poderá mais facilmente se tornar uma. Mesmo que no início você não beba para ficar bêbada. E todos que cercam a dependente de álcool são afetados pela doença; e são co-dependentes, porque têm que ajustar suas identidades ao comportamento errático da paciente , e como ela, necessitam de tratamento. PRECONCEITO - Hoje já se sabe que o hábito de beber não faz a menor distinção de sexo, embora os efeitos sobre a mulher sejam mais acentuados. Isso acontece porque o álcool não se distribui em tecidos gordurosos, que as mulheres normalmente têm mais que os homens (as mamas, por exemplo), aumentando sua concentração no sangue. Além disso, o sexo feminino tem deficiência de algu-mas enzimas que metabolizam o álcool no organismo, fazendo com que ele permane-ça agindo mais tempo sobre o corpo. Re-sultado: os estragos causados pela droga, que custam vinte anos para se manifestar no organismo masculino, na mulher aparecem em cinco anos.
"O preconceito contra mulheres, que bebem também é muito forte", diz M.J.A. "Eu cansei de ouvir comentários pejorativos, inclusive de outras mulheres. Não é que o mesmo não aconteça com o homem alcoólico, mas ele vem junto com um sentimento de poema, que suaviza a agressão", constata ela. Mulheres alcoólicas (e o preconcei-to contra elas) não são nenhuma novidade. O Antigo Testamento já condenava específicamente a embriaguez feminina. Entre os romanos e na Idade Média , mulheres que bebiam eram tão repudia-das quanto as adúlteras. Dizia-se que as moças com o hábito de beber tornavam-se mais agressiva e promíscuas. Até hoje, acredita-se que o menor número de mulheres alcoólicas tem razões morais, pois a sociedade as condena de forma mais rigorosa. Embora esmaecidos pelos anos, o preconceito contra a mulher que bebe ainda está muito arraigado na população.
Em alguns Centros já se tenta oferecer serviços especificos para atender a mulher alcoolista. Dentre eles destaca-se o Centro de Recuperação Renascer, da Cruz Azul, localizado na cidade de Ituporanga, SC. Fone para informações/internações: (047) 591-7703.
O SEXO FRÁGIL
Por que as mulheres são mais vulneráveis ao álcool e às drogas:
  • A mulher absorve 30% a mais de álcool que o homem. O organismo feminino tem mais dificuldades para metabolizar o álcool por ter mais gordura e menos água que o masculino.
  • Os tranqüilizantes também aderem melhor ao tecido gorduroso.
  • Depressão e quadros de ansiedade são mais freqüentes nas mulheres, que acabam encontrando nos ansiolíticos - calmantes e antidepressivos - um alívio temporário para os dois problemas.
  • O homem possui uma quantidade duas vezes maior de enzima desidrogenase, que protege o fígado dos efeitos maléficos do álcool.



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