07 maio 2011

'Um Novo Caminho' traz outro olhar sobre alcoolismo

O filme de Philippe Godeau e o ator François Cluzet chama-se Le Dernier Pour la Route, no original. No Brasil, virou Um Novo Caminho. É o que tenta trilhar o personagem de Cluzet.  Logo na abertura, ele está saindo de casa. Parece que está indo embora - um divóricio ? -mas na verdade é um alcoólatra que está se internando para se desintoxicar. O cinema contou muitas histórias de alcoólatras desde que Farrapo Humano, de Billy Wylder , com Ray Milland, ganhou os principais oscars de 1945. Godeau e Cluzet basearam-se num livro de Hervé Chabalier. "Estava muito feliz nas minhas funções de produtor e distribuidor. Não pensava em dirigir, nunca foi um desejo. Quando comprei o livro de Hervé, tentei vários diretores, mas eles tinham visões muito diferentes da minha. Enquanto isso, participava do roteiro e nunca me envolvi tanto com a escrita. François (Cluzet) começou a dizer que eu devia dirigir e resolvi ousar. Foi uma das melhores experiências da minha vida". O que essa história de um dependente do álcool tem de diferente ? "Não é a clássica história de recuperação. Philippe investiga a tristeza de meu personagem, que tem origem na morte da irmã, que ele provoca, indiretamente. A clínica não é um porto seguro e, no final, ele não tem certeza de nada. Nem de estar recuperado", diz Cluzet. "A discussão sobre a linguagem é rica e é diferente. Um novo caminho é menos sobre um dependente do que sobre um homem que reaprende a se comunicar. Neste sentido, todas as etapas da construção do personagem foram valiosas. 
              ALCOOLISMO VISTO SOB TOM SÓBRIO
Um novo caminho foi a "tradução" encontrada no Brasil para Le Dernier Pour la Route, filme de Philippe Godeau. Poderia, sem prejuízo, ser vertido pçara algo como " A SAIDEIRA ", não fosse o empenho moralizante com frequência embutido na temática do ALCOOLISMO. E isso, diga-se, num filme bastante limpído, que trata o problema do álcool sem qualquer viés moral, e o vê como um problema de dependência química e psicológica. Sobretudo com algo ligado à disfunção afetiva, como comprova a história de Hervé (François Cluzet) que tem tudo para ser feliz, mas detrói-se pela bebedeira contumaz. Internado, ele irá conhecer uma mocinha problemática, bem mais jovem e complicada do que ele. O filme mostra o tratamento e os dramas pessoais e os dramas pessoais em tom documental, bem despojado e isento. Nem por isso é menos envolvente. Benefia-se da mão segura do diretor e, sem que isso pareça contraditório com o tema, a sobriedade de François Cluzet, ator de muitos recursos expressivos, que utiliza com economia. 



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