05 junho 2011

Alcoolismo - Negando o problema

O drama do alcoolismo


NEGANDO O PROBLEMA

Depois de quase quinze anos de bebedeiras, a advogada Rafaela Paulo, 29, internou-se numa clínica para dependentes pela primeira vez em março de 2008. Cumpriu três meses de tratamento e voltou à vida normal, mas teve recaídas. Mesmo tendo sofrido sérias consequências por causa do problema – há dois anos, conheceu um cara numa rave e, bêbada, engravidou dele –, Rafaela demorou a reconhecer a patologia. “Aceitar que se está doente é difícil. É reconhecer a própria fraqueza.” Foi só quando perdeu o emprego que a advogada não teve outro jeito – a não ser tratar-se. 

Uma das características da dependência é justamente a negação. “A pessoa desvia a atenção do problema”, diz o psiquiatra Danilo Baltieri, coordenador do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas (Grea), da Universidade de São Paulo. Danilo dá um exemplo: muita gente justifica a necessidade de beber diariamente dizendo que precisa combater a ansiedade. “A pessoa age como se o problema a ser enfrentado fosse a ansiedade e não o vício”, diz ele. “E a ansiedade, na verdade, já é uma consequência sutil da abstinência, um sintoma de dependência.” 

A promotora de eventos Andréia Cristina de Morais, 32 anos, sabe bem o que é isso. Desde os 16, ingere álcool, no mínimo, três vezes por semana. “Passar sem goró não rola, né?”, desabafa. Nos dias em que fica longe dos drinques, Andréia sofre crises de impaciência. “Fico inquieta, com vontade de entrar no primeiro boteco que aparecer.” Às vezes, ela faz isso. 

Se a dependência psicológica pode demorar toda uma vida para ser assumida, os problemas físicos do consumo obsessivo começam a aparecer, nas mulheres, em média cinco anos depois que elas se apaixonam pela garrafa (nos homens, oito). Por ter menor concentração da enzima responsável por metabolizar o álcool, o organismo feminino absorve 30% mais dessa substância em comparação com o masculino. Toda mulher está sujeita a ficar quatro vezes mais embriagada que o homem consumindo a mesma quantidade de copos. O desenvolvimento de doenças ligadas a bebidas (como cirrose hepática ou pancreatite) é mais rápido e devastador nelas.

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