07 junho 2011

Judy Garland e o alcoolismo


Judy Garland, uma das estrelas mais brilhantes da história de Hollywood, pouco tinha a ver com as personagens de seus 36 filmes. Em Nasce uma estrela, no qual interpretou uma atriz em ascenção, talvez tenha passado perto, pelo fato de que, no filme, seu marido (James Mason) era um astro de cinema decadente e alcoólatra que descobre e se casa com uma cantora que ele ajuda a transformar em estrela.
Mas sua vida teve momentos bem mais dramáticos e trágicos do que os que viveu nas telas. Judy Garland morreu em 1969, aos 47 anos, vítima de constantes dietas, de seu alcoolismo e do vício em remédios.
10 de junho de 1969. No seu último aniversário, Judy Garland estava sozinha.  
Sua carreira no cinema já havia declinado há anos, e ela sobrevivia fazendo alguns shows. As dívidas se acumulavam aos montes, o quinto casamento ia de mal a pior.
Segundo a biografia de David Shipman (Judy Garland: A primeira biografia completa), ela ainda alimentava sonhos: queria ser uma estrela da Broadway!
Mas o tempo era curto já então. Problemas com alcoolismo, depressão que a acompanhou por toda a vida e medicamentos, fizeram com que se tornasse uma pessoa instável. Mesmo assim ela tentava. E assim foi filmada para o triste documentário “A Day in the Life of Judy Garland”, projeto do seu então marido-playboy Mickey Deans. De tão ruim que era, não houve ninguém que se interessasse pelo projeto, que chegava a mostrar algumas cenas dela bêbada e nua.
Triste sob vários aspectos, porque mostrava uma Judy que mal cabia dentro de um corpo delicado e frágil.
Judy também sofria, pelo desprezo dos filhos. Sim. Liza Minelli dera ordens expressas para que não lhe passassem mais ligações da mãe. Lorna e Joey eram ausentes.
Mas eles reapareceram! Sim, reapareceram quando souberam da morte da mãe. Liza teve a sensatez de pagar o funeral, e Lorna Luft lançou um livro de memórias fantasiosas onde dizia que ela cuidava da mãe a ponto de adoecer e ser tirada de sua guarda pelo bom pai Sidney Luft. O mesmo que explorou sua mãe anos antes, quando ainda era seu empresário.
De repente a mãe era amada e podia lhe render alguns trocadinhos. Os direitos de seu livro foram vendidos e viraram um filme para a TV chamado “Me and my Shadows”.
No livro/filme, Lorna relata que os filhos ligaram para a mãe no dia de seu aniversário. Juntos, sorridentes! E que ela estava bem.
Mentira. Judy morreria 12 dias depois, em um banheiro. O corpo exausto, e sem forças para lutar contra o vício que carregava há anos: remédios.
Fico a me perguntar em que determinado momento a garotinha do Kansas começou a morrer dentro dela. E ainda a vejo assim, tão pura e cheia de sonhos:
Quanto a seus filhos, cada qual tomou seu rumo. Liza tornou-se uma das maiores cantoras do nosso tempo, Joe é um obscuro fotógrafo. Lorna? Uma atriz e cantora frustrada, que vive a regravar as músicas de sua mãe.

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