01 julho 2011

Alcoolismo - Coisas da nossa mente ?


Coisas da Nossa Mente

Alcoolismo? Ou Alguns Copos a Mais?...

Excesso de álcool? Alcoolismo? Copos a mais? A etiqueta a pôr-lhe é pouco importante. O que é realmente importante é perceber se o consumo de álcool o/a está a prejudicar.
Sabemos que na nossa sociedade, beber um ou mais copos de bebida alcoólica serve muitas vezes de pretexto para socializar, desinibir, fazer a festa. Aliás, nalguns casos, parece mesmo que festa sem bebida não é festa. Como se o propulsor para a alegria tivesse de vir obrigatoriamente do álcool etílico consumido. Há uns bons anos atrás esse convívio entre copos era mais usual entre os homens. Hoje, este comportamento tende a ser praticado também entre as mulheres, embora por vezes de forma mais comedida ou envergonhada. 
Neste contexto social, encontramos pessoas que não gostam de bebidas alcoólicas e recusam-se a consumi-las por sentirem que quando bebem perdem o controlo sobre si próprias. Outras, pelo contrário, servem-se do álcool para se desinibirem, perderem a vergonha de si e o medo de se exporem. Outras ainda,  sentem no álcool uma força energética sem a qual parecem não conseguir viver. Para estas últimas, o álcool é como um parceiro que lhes permite viver num mundo de fantasia. Neste mundo - o de fantasia - tudo é permitido, os problemas são atirados para trás das costas, e os sentimentos depressivos ficam temporariamente mascarados por picos de excitação.
A nível pessoal, os problemas surgem quando se aguenta o dia a dia com o fito de beber o próximo copo. O objectivo é descontrair, viver em fantasia, anestesiar o corpo, os sentimentos, as dores profundas; mascarar aquilo que se julgar ser, e fantasiar vir a ser aquilo que se deseja de forma mais ou menos megalómana. Sempre na busca de reencontrar o prazer do primeiro copo. Vêem depois as noites mal dormidas, o acordar já cansado, as ressacas, a depressão – que depois de uma bebedeira aumenta consideravelmente. Vem então a intenção de não mais beber assim, de o fazer apenas moderadamente, ou de nem sequer o voltar a fazer. Vem o desejo de libertar o corpo de álcool e viver saudavelmente. Vem o desejo de estar só para disfarçar a ressaca. E vem, progressivamente, a solidão efectiva ou a solidão vivida com os amigos do álcool.
Afinal, quando o álcool se torna um objectivo, tolda os pensamentos, domina os desejos e pensamentos do dia a dia, e não permite viver em pleno o mundo circundante, então temos um problema. Porque se vive para o álcool, para reencontrar os momentos de excitação do álcool, que permite fugir da realidade. Realidade essa que de facto não muda, fica apenas mascarada, e com o tempo dificilmente vai para melhor, porque o consumo compulsivo vai deteriorando a vida do consumidor.
Quando sente que o álcool está a tomar conta da sua vida, talvez o consumidor perceba que tem um problema. Possivelmente, por trás da busca da excitação pelo álcool está uma grande pena de si próprio. Digamos que a sucessão de pensamentos é algo como isto: "Pobre de mim, que a minha vida é tão triste" e então "Deixa-me tomar mais um copo para me consolar e fugir desta realidade que vejo sobre mim próprio." Depois da bebedeira, com a ressaca, a tristeza aumenta e o desprezo por si também.
O álcool, como outro alterador de consciência, é uma fuga. Que não leva ao paraíso. Leva antes ao inferno, um lugar vazio, pleno de desilusão e insucessos, bem como de solidão. O paraíso está na coragem de viver sem esta bengala envenenada. Porque o álcool fá-lo fugir de si, do mundo, dos outros... para onde? Para onde quer ir embalado pelo álcool?

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