13 julho 2011

Jovem Francesa - Alcoólatra aos 12 anos, lança livro.


Francesa alcoólatra aos 12 anos lança livro com alerta


Direto de Paris


Ela tinha apenas 12 anos quando começou a beber vinho com os amigos e bastaram algumas repetições para que Élodie Compte, hoje com 19, não conseguisse mais viver sem bebidas alcoólicas. Em pouco tempo, a jovem francesa que mal havia deixado a infância começou a consumir vodka diariamente, logo pela manhã. Ela passava o dia embriagada, alimentando o vício nos intervalos entre as aulas com uma garrafa de refrigerante que trazia de casa, na qual misturava a bebida original com a alcoólica - e sem que os pais ou os professores percebessem nada.
A trajetória impressionante de uma criança que chega no fundo do poço da bebida - em uma idade em que ela sequer deveria conhecer o gosto do álcool - é contada por Elodie em O Primeiro Copo - Alcoólatra aos 12 anos. O livro acaba de ser lançado na França, onde cada vez mais cedo os jovens têm se iniciado no hábito de beber.
Foi somente aos 15 anos que a família da adolescente enxergou o problema em que Elodie havia se afundado. Ela passou imediatamente a fazer um tratamento contra a doença, que durou dois anos e meio. "No realidade, eu estava pedindo ajuda e por isso deixei o meu segredo ser revelado, porque se fosse por eles, acho que ainda teriam demorado muito tempo para se darem conta", lembra a jovem.
A porta de entrada para que ela pudesse ter entrado no alcoolismo, alega a autora, é o fato de que foi somente no ano passado que a lei francesa passou a proibir totalmente a venda de bebidas para menores de 18 anos. Até então, era possível comprar vinho e cerveja dos 16 aos 18 anos, sendo interditados somente as bebidas destiladas antes da maioridade. Mesmo assim, nenhum menor encontrava dificuldades para consumir bebidas. "Nem precisava ter um amigo mais velho para comprarmos álcool com a maior facilidade. Não havia nenhuma fiscalização nos bares ou mercados", testemunha.
Sem surpresa, é aos caixas de supermercados e aos barmen que Elodie atribui a culpa por ter, conforme ela, perdido a adolescência. "Eu lembro pouco da minha adolescência. Tudo que lembro são dores de cabeça, vômito, mal-estar", conta a jovem.
Desde o início deste ano, a venda de qualquer bebida alcoólica para menores está proibida na França e quem for pego infringindo lei terá de arcar com uma multa de 7,5 mil euros (R$ 21 mil). As festas com bebida liberada também foram proibidas.
Na vida de Elodie, tudo começou quando ela quis provar aos amigos meninos que poderia beber vinho tanto ou mais do que eles, "querendo ser grande antes da hora", conforme suas próprias palavras. O caminho foi curto até o grupo passar para bebidas mais fortes e começar a fazer disputas de quem conseguia beber mais. Todos acabaram virando dependentes, e se encontravam diariamente após o colégio apenas para beber - a maioria chegava já em estágio de embriaguez, depois das doses dissimuladas nos intervalos das aulas.
Pouco tempo depois, ela já bebia sozinha, em casa, escondida dos pais e sem nenhuma razão especial. "Não sei como eu conseguia disfarçar tão bem. Eu agia como se estivesse sóbria, no entanto estava o tempo inteiro bêbada". No auge da dependência, chegou a consumir uma garrafa de vodka por dia e por duas vezes agrediu a própria mãe com tapas.
Foi a violência no comportamento e o afastamento da família que fizeram com que os parentes investigassem a vida dela e descobrissem o vício. Ela aceitou iniciar um tratamento imediatamente, mas diz ter consciência sobre incurabilidade do vício na bebida.
"Aquela história de que um alcoólatra nunca vai ser curado é muito verdadeira. Hoje, o cheiro da bebida me enoja e não tenho vontade, mas sei que a verdade é que não posso nem chegar perto de um copo para não afundar novamente. É uma briga cotidiana dentro de mim", afirma. Por causa do vício, Elodie não conseguiu terminar sequer o ensino médio.
Depois de parar de beber, ela se engajou em campanhas de luta contra o alcoolismo na adolescência e trabalha como voluntária na associação Vida Livre, assim como alguns dos amigos que, como ela, haviam passado dos limites. "Depois viver todo esse mundo de horrores, sentimos uma vontade muito grande de alertar aos mais novos. É um desperdício de vida", julga a francesa. "Se o meu livro ajudar uma única pessoa a não passar pelo que eu passei, já terá valido a pena."
Se depender do apoio da mídia francesa à causa, a obra de Elodie será um sucesso. Ela participou dos principais telejornais do país durante a última semana, e deve começar uma viagem pela França divulgando o livro em escolas. O exemplar custa 17,5 euros (R$ 49) e é editado pela Michel Lafon.



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