07 agosto 2011

Alcoolismo - Permissão dos pais para beber é um incentivo ao alcoolismo


Permissão dos pais para beber é um incentivo ao alcoolismo

Adolescentes que bebem com supervisão têm mais chance de virar alcoólatras


Permitir que os jovens consumam bebidas alcoólicas sob a supervisão de adultos não parece ser uma boa forma de ensinar a beber com responsabilidade. Na verdade, essa abordagem pode levar os adolescentes a beberem mais, como afirma um novo estudo publicado na edição de maio de 2011 da Revista de Estudos sobre Álcool e Drogas.

De acordo com os pesquisadores da Escola de Enfermagem da Universidade de Minnesota (EUA), aceitar que os adolescentes bebam com os adultos presentes, mas proibir quando desacompanhados, pode enviar sinais contraditórios ao jovem. 


Em geral, os pais tendem a assumir duas abordagens. Alguns permitem que seus filhos adolescentes consumam álcool em pequenas quantidades e em algumas ocasiões, se um adulto estiver presente. A ideia é de que os jovens aprenderão a beber de forma responsável se o álcool for introduzido na vida lentamente e em um ambiente controlado. Essa tem sido a abordagem predominante em muitos países.

A segunda abordagem é a de "tolerância zero", o que significa que os garotos não devem ser autorizados a beber álcool em hipótese alguma. Essa posição, menos permissiva, é predominante nos Estados Unidos, com leis e políticas nacionais, muitas vezes defendendo a abstinência total de adolescentes.

Para testar como essas diferentes formas de educação influenciam na ingestão de álcool entre jovens, estudiosos do Centro de Saúde do Adolescente em Melbourne, na Austrália, e do Desenvolvimento Social Grupo de Pesquisa, em Seattle (EUA), examinaram mais de 1.900 alunos da sétima durante dois anos. Durante o período que esses adolescentes estudaram do sétimo ao nono ano escolar, os pesquisadores fizeram perguntas sobre uso de álcool, problemas que tiveram com esse consumo e quantas vezes eles já beberam na presença de um adulto. 
Até a oitava série, cerca de 67% dos jovens australianos e 35% dos americanos haviam consumido álcool com a supervisão de um adulto. No nono ano, 36% dos adolescentes australianos, em comparação com 21% dos adolescentes americanos, sofreram as consequências do álcool, como não conseguir parar de beber, entrar em brigas ou ter "apagões".

Nos dois países, os jovens que foram autorizados a beber com a presença de adultos aumentaram o consumo de álcool e ficaram mais propensos a sofrerem os efeitos nocivos na nona série. Segundo os autores, quando os pais dão essa permissão podem estar incentivando o consumo de álcool. Os resultados sugerem que esses adultos adotem uma política proibitiva para os adolescentes. 
Como manter seu filho longe do alcoolismo 
Em primeiro lugar, dê o exemplo. Beba com muita moderação. O limite do saudável, para adultos de peso e estatura médios e sem doenças crônicas, é de três copos de vinho, três latas de cerveja ou 250 ml de destilados. Para mulheres, dois copos de vinho ou duas latas de cerveja.

Não permita que menores bebam, nem mesmo na festa de casamento de um parente. Explique que isso é bebida de adultos e que deve ser ingerida com muito controle. Ensine-o a criticar as propagandas que passam um falso modelo de saúde em gente que consome álcool.

Imponha limites e controle o acesso à bebida. Para isso, é necessário saber com quem seus filhos andam e os locais que freqüentam. Se você notar que ele anda consumindo álcool demais, não perca tempo e procure ajuda médica.

Tratamento de alcoólatras 
O tratamento dependerá da extensão do problema. Algumas pessoas são capazes de tirar a bebida de suas vidas ou beber em níveis moderados com a ajuda de um psicólogo ou de conselhos de amigos e familiares. Quem está em um estágio mais avançado de dependência do álcool, no entanto, precisa de ajuda especializada.

Na maioria das vezes, os viciados e dependentes precisam de tratamento médico que os ajude a parar de beber. Podem ficar em hospitais ou em clínicas especializadas, como as que tratam viciados em drogas. Uma vez que os sintomas de abstinência forem superados, o próximo passo é fazer com que o paciente se mantenha sóbrio. Muitas pessoas precisam de suporte contínuo para isso, que pode vir de grupos de apoio, como os Alcoólatras Anônimos, ou de sessão com psicoterapeutas.

O sucesso no tratamento está intimamente relacionado ao tamanho da força de vontade que pessoa tem para deixar de beber e também se ela realmente admite que tem problemas de dependência do álcool. No entanto, a força de vontade pode não ser suficiente se o corpo estiver extremamente dependente. Por isso, medicações específicas são muito úteis durante o processo de desintoxicação. 

Medicamentos 
Se a pessoa passar por graves crises de abstinência, com tremores incontroláveis, ataques e alucinações, é possível que precise ir a um hospital ou clínica especializada para se desintoxicar. Os medicamentos utilizados para reduzir os sintomas da falta de álcool são: ansiolíticos (remédios antidepressivos) e anticonvulsivos.

Os remédios que ajudam a pessoa a se manter sóbria durante o período de recuperação agem reduzindo os efeitos prazerosos do álcool, provocando náuseas ao beber e tratando as crises convulsivas.

O uso em excesso do álcool também pode fazer com que o organismo sofra deficiência de uma série de vitaminas e minerais, especialmente a vitamina B. Se for esse o caso, será preciso recompor a perda dessas substâncias por meio de suplementos. Depois do período de desintoxicação, a pessoa deverá discutir com o médico tratamentos para se manter sóbrio e evitar recaídas. 



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