29 setembro 2011

Alcoolismo - Lute e vença a doença

Vença a batalha contra o alcoolismo
Responsável por mais de 350 doenças, o álcool traz sérios problemas para 10% da população. O primeiro passo para superá-lo é reconhecer a dependência




Cada vez mais cedo 
Pesquisa realizada pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas da Universidade Federal de São Paulo (Cebrid/Unifesp) concluiu que 90,3% das internações hospitalares por dependência de drogas ligam-se ao abuso de álcool, que é ainda o maior motivo de demissões, a terceira causa de aposentadoria por invalidez e o maior fator de influência nos episódios de violência doméstica. O estudo informa ainda que o índice de suicídios é 58% superior entre os alcoólatras e que aos domingos, dia da semana em que as pessoas costumam beber mais, aproximadamente 15 milhões de indivíduos se embriagam no Brasil.
O álcool é a droga mais consumida no planeta. O excesso prejudica praticamente todos os órgãos e sistemas do corpo e pode causar de uma simples dor de cabeça até a morte
Entre os jovens o problema também tem proporções alarmantes. O primeiro contato com a bebida ocorre aos 11 anos, antes do cigarro (12 anos), da maconha (13 anos) e da cocaína (14 anos). Um estudo com 15.503 estudantes de 1o e 2o graus, em dez capitais do país, realizado também pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), aponta que:
 65% dos estudantes do Ensino Fundamental (5a à 8a série) e do Ensino Médio já ingeriram bebidas alcoólicas
.  50% dos alunos com idade entre 10 e 12 anos já experimentaram álcool.
 28,6% beberam pela primeira vez em casa e, em 21,8% dos casos, a bebida foi oferecida pelos pais.
 23,81% dos entrevistados ingeriram álcool por pressão dos amigos.
 28,9% já ficaram bêbados. 
 
11% brigaram depois de beber.
 19,5% já faltaram à escola tendo como principal causa o excesso de bebida.
"Tudo começou aos 12 anos"
 
"Minha história com o alcoolismo começou cedo, aos 12 anos. Na época, minha irmã tinha um namorado que bebia muito e um dia ele consentiu que eu experimentasse refrigerante com cachaça. Descobri que o efeito era uma delícia.
Esperava ansiosa para conseguir outro gole. Na adolescência, como sempre fui tímida, usava o artifício para ter coragem de ir a festas. Namorei, casei e, aos 19 anos, fui abandonada pelo meu marido. Ele dizia que não queria viver com uma bêbada. Em 86, estava desmoralizada no Recife, minha terra natal, e decidi morar em São Paulo. Achava que mudar de cidade ia me fazer parar de beber. Claro que não foi o que aconteceu. Depois, pensei que uma nova união poderia ser a solução e casei com uma pessoa que também estava envolvida com álcool.
Resultado: muitas agressões físicas. Entre as seqüelas, perdi totalmente a visão do olho esquerdo. Cheguei ao fundo do poço. No dia 8 de novembro de 1992, admiti que era alcoólatra. Hoje faço o possível para fugir da bebida, sei que não posso ingerir o primeiro gole..."
Ana*, 50 anos, dona de casa
 

por Mariana Viktor e Alexsandra Bentemuller (depoimentos)
fotos Fernando Gardinali




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