24 setembro 2011

Alcoolismo - Tratamento



Tratamento
Os alcoólicos que apresentam uma síndroma de abstinência geralmente tratam-se a si próprios bebendo. Algumas pessoas procuram cuidados médicos porque não desejam continuar a beber ou porque a síndroma de abstinência é muito intensa. Num ou noutro caso, o médico verifica, primeiro, a possibilidade de uma doença ou de uma lesão da cabeça que possa complicar a situação e, depois, procura caracterizar o tipo de síndroma de abstinência, calcular quanto bebe habitualmente a pessoa e determinar quando deixou de beber.
Como a deficiência vitamínica causa uma síndroma de abstinência potencialmente mortal, os médicos dos serviços de urgência dão, geralmente, grandes doses endovenosas de complexos vitamínicos C e B, especialmente tiamina. Os líquidos intravenosos, o magnésio e a glicose administram-se, frequentemente, para proteger alguns da síndroma de abstinência do álcool e para evitar a desidratação.
Frequentemente, os médicos prescrevem um fármaco benzodiazepínico durante alguns dias para acalmar a agitação e ajudar a prevenir a síndroma de abstinência. Os medicamentos antipsicóticos administram-se geralmente a um reduzido número de pessoas com alucinose alcoólica. O delirium tremens pode pôr em perigo a vida e trata-se mais agressivamente para controlar a febre alta e a agitação intensa. Geralmente administram-se líquidos endovenosos, medicamentos para baixar a febre (como o paracetamol) e sedativos, e requer-se uma supervisão estreita. Com este tratamento, o delirium tremens começa geralmente a desaparecer dentro das primeiras 12 a 24 horas.
Depois de resolvidos os problemas médicos urgentes, deve começar-se uma desintoxicação e um programa de reabilitação. Na primeira fase do tratamento, o álcool é suprimido por completo. Portanto, um alcoólico tem de modificar o seu comportamento. Permanecer sóbrio é difícil. Sem ajuda, a maioria recai em poucos dias ou semanas. Geralmente crê-se que o tratamento de grupo é mais eficaz do que o acompanhamento individual; no entanto, o tratamento dever-se-á adequar a cada indivíduo. Pode também ser importante contar com o apoio dos familiares.
Alcoólicos Anónimos
Não existe nada que beneficie tanto os alcoólicos e de modo tão eficaz como a ajuda que podem proporcionar a si próprios participando nos Alcoólicos Anónimos (AA). Alcoólicos Anónimos opera dentro de um contexto religioso; existem organizações alternativas para quem deseja uma aproximação mais secular. Um alcoólico deve sentir-se bem, de preferência incorporando-se num grupo onde os membros partilham outros interesses para além do alcoolismo. Por exemplo, algumas áreas metropolitanas têm grupos de Alcoólicos Anónimos para médicos e dentistas e outras profissões e para pessoas com certas preferências, assim como para solteiros ou para mulheres e homens homossexuais.
Alcoólicos Anónimos procura um sítio onde o alcoólico em recuperação possa estabelecer relações sociais fora do bar com amigos não bebedores, os quais também servem de apoio quando surja de novo a necessidade imperiosa de beber. O alcoólico ouve as confissões dos outros ao grupo inteiro relativamente ao modo como estão a lutar dia a dia para evitar beber um copo. Finalmente propondo meios para que o alcoólico ajude os outros, Alcoólicos Anónimos permite que a pessoa construa uma confiança e uma auto-estima que antes só encontrava bebendo álcool.
Tratamento farmacológico
Por vezes, o alcoólico pode recorrer a um medicamento para evitar consumir o álcool. Pode prescrever-se um fármaco chamadodissulfiramo. Este medicamento interfere com o metabolismo do álcool, provocando acumulação de aldeído acético, um metabolito do álcool no sangue. O aldeído acético é tóxico e produz rubor facial, dor de cabeça pulsátil, aumento do ritmo cardíaco, respiração acelerada e sudação durante 5 a 10 minutos depois de a pessoa ingerir álcool. As náuseas e os vómitos podem apresentar-se de 30 a 60 minutos depois. Estas reacções incómodas e potencialmente perigosas duram entre uma e três horas. A incomodidade pela ingestão de álcool depois de tomar dissulfiramo é tão intensa que poucas pessoas se arriscam a tomar álcool, mesmo a pequena quantidade utilizada nalguns preparados de venda livre contra a tosse e o catarro ou nalgumas comidas.
Um alcoólico em recuperação não pode tomar dissulfiramo logo que deixar de beber; o medicamento só pode ser tomado depois de alguns dias de abstinência. O dissulfiramo pode afectar o metabolismo do álcool de 3 a 7 dias depois da última dose do fármaco. Por causa da intensa reacção ao álcool associada com o tratamento, o dissulfiramo deverá ser administrado somente a alcoólicos em recuperação, os quais querem realmente ajuda e estão a querer cooperar. As mulheres grávidas ou as pessoas que têm uma doença grave não devem tomar dissulfiramo.
naltrexona, outro medicamento, pode ajudar as pessoas a tornarem-se menos dependentes do álcool, se for usada como parte de um programa de tratamento extenso que inclua acompanhamento. A naltrexona altera os efeitos do álcool em certas endorfinas do cérebro, que podem estar associadas com a procura compulsiva e o consumo do álcool. Uma grande vantagem relativamente ao dissulfiramo é que a naltrexona não produz mal-estar. Uma desvantagem é que a pessoa que toma naltrexona pode continuar a beber. As pessoas com hepatite ou outra doença hepática não devem tomar naltrexona.



Efeitos do álcool nos não alcoólicos
Nível de álcool no sangue
Efeitos
0.05 (50 mg/dl*)Facilitação da relação social; tranquilidade.
0.08 (80 mg/dl)Coordenação diminuída (redução das capacidades físicas e mentais). Diminuição de reflexos (ambas dificultam uma condução segura) .
0.10 (100 mg/dl)Alteração perceptível da coordenação.
0.20 (200 mg/dl)Confusão. Diminuição da memória. Alteração importante da estabilidade (não consegue permanecer de pé).
0.30 (300 mg/dl)Perda de consciência.
0.40 (400 mg/dl e mais)Coma, morte.
Consequências a longo prazo do consumo de álcool
Tipo de défice
Efeito
Nutricional
Valores baixos de ácido fólicoAnemia, defeitos congénitos.
Valores baixos de ferroAnemia.
Valores baixos de niacinaPelagra (lesões cutâneas, diarreia, depressão).
Gastrointestinal
EsófagoInflamação (esofagite), cancro.
EstômagoInflamação (gastrite), úlceras.
FígadoInflamação (hepatite), cirrose, cancro.
PâncreasInflamação (pancreatite), baixos valores de açúcar no sangue, cancro.
Cardiovascular
CoraçãoRitmos cardíacos anormais (arritmia), insuficiência cardíaca.
Vasos sanguíneosHipertensão arterial, arteriosclerose, acidentes vasculares cerebrais.
Neurológico
CérebroConfusão, coordenação reduzida, memória de curto prazo limitada (recordações escassas dos acontecimentos recentes), psicose.
NervosDeterioração dos nervos que controlam os movimentos nos braços e nas pernas (diminuição da capacidade de andar).
 



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