20 outubro 2011

Alcoolismo - De Volta à Vida - Caso Real



De volta à vida, após 15 anos no ‘poço' 
Quinze anos de bebedeiras memoráveis. Esse foi o tempo que o sindicalista Claudinei Maceió, 46 anos, viveu pela cachaça, como ele próprio diz. O resultado dessa vida desregrada foi uma pancreatite crônica, diabetes, problemas no casamento, distanciamento dos filhos, dificuldades nos relacionamentos profissionais e um ultimato dos médicos: tinha apenas mais um ano de vida, aos 38.
"Na hora que ouvi aquilo não acreditava que eu estava fazendo tudo aquilo comigo e, principalmente, com a minha família", conta Maceió, ao relembrar a vida de dependente alcoólico.
Atualmente ele é um dos diretores do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André. Com angústia, recorda dos tempos difíceis. Ele está há sete anos sem beber e se orgulha a cada dia de novas conquistas.
Dos porres ficaram apenas a lembrança e as sequelas físicas e psicológicas. No momento que chegou ao fundo do poço pesava 107 quilos. Era gordo, não tinha forças para andar e para fazer muitas coisas.
A sua vida se resumia a acordar e, até o momento de dormir, beber. "Tomava uma garrafa de pinga rapidinho. Ficava nos botecos da vida. Isso não é vida para ninguém", comenta. Agora está satisfeito com os 82 quilos.
A bebida, diz, foi um meio para fugir das dificuldades e da infância traumatizada. Assim Maceió busca explicação para o vício. "Sentia um vazio imenso e buscava na pinga uma saída. Lógico que ali não encontraria."
Com a notícia de que tinha no máximo mais um ano de vida, e vendo a mulher e os dois filhos sofrendo, decidiu que eles não mereciam passar por toda aquela situação. "Um dia minha mulher me acordou e pediu para eu cheirar o lençol da cama. Nossa, fedia a ovo podre", relembra. O sindicalista seguiu o passo que milhares de pessoas fazem: procurou ajuda em culto evangélico e até hoje segue os preceitos da religião.

Caso do ex-jogador Sócrates põe dependentes em alerta 
O caso do médico e ex-jogador de futebol Sócrates é emblemático para os dependentes alcoólicos. Ele assumiu publicamente o vício, depois de uma primeira internação.  Recebeu alta após permanecer 17 dias internado devido à complicações de uma cirrose hepática com sangramento no esôfago. Para melhorar, será obrigado a passar por um transplante de fígado.
Para ter as condições obrigatórias solicitadas pelo Ministério da Saúde para autorização do transplante, o ex-jogador precisa passar seis meses de abstinência.
Segundo Carlos Bahia, coordenador do Transplante de Fígado do Hospital de Transplantes do Estado de São Paulo, órgão vinculado à Secretaria de Estado da Saúde, todas as pessoas precisam parar por esse tempo. Mas, em muitos casos, apenas com essa fase sem ingerir bebidas alcoólicas, a condição e qualidade de vida dos pacientes melhoram significativamente.
Mas um dado está preocupando o especialista. Houve aumento de 54% nas internações devido à cirrose alcoólica nos hospitais da rede estadual. "Em 2007, tivemos 2.700 pacientes internados, mas para este ano a previsão é de 3.300. Esse dado é extremamente preocupante", analisa Bahia.
Já para a fila do transplante existem cerca de 1.000 pacientes atualmente. Cerca de 15%, ou 150, estão na espera devido ao uso prolongado de álcool. Em 2011, já foram realizados 501 transplantes, sendo 441 órgãos de falecidos e 60 de doadores vivos. Por outro lado, 274 pessoas morreram sem conseguir realizar a cirurgia.
Segundo o especialista, o tempo para uma pessoa chegar à condição de necessitar de transplante para sobreviver não é muito, como a maioria pensa. "Em dez anos de uso contínuo, o que significa de 4 a 5 doses diárias, que é uma quantidade aceitável socialmente. Porém, as pessoas podem ter problemas crônicos, como a cirrose", conta.
Milhares de brasileiros torcem pela saúde de Sócrates. Ele era um jogador extremamente habilidoso, que sabia jogar de costas para os adversários, com os seus inesquecíveis toques de calcanhar. Agora é hora de usar a inteligência para vencer esse adversário perigoso e rasteiro.



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