14 outubro 2011

Final de Ano - Cuidado Com a Bebida e Recaídas






Abuso de álcool  no final do ano


O ano de 2013 já está terminando e, com a aproximação das festas de final de ano, começam as preocupações em torno do consumo abusivo de drogas e álcool, o que geralmente resulta em maiores ocorrências de acidentes de trânsito, situações de violência, casos de afogamentos, entre outros problemas graves relacionados ao uso de álcool e drogas.
Muitas vezes, as pessoas esperam o fim de semana ou datas comemorativas para beber “tudo o que tem direito” ultrapassando o consumo considerado “normal” (uma dose) para mais de cinco doses para homens e quatro para mulheres.
Álcool e trânsito:
Grande parte das pessoas que bebe em ocasiões festivas acaba tendo problemas com a direção de veículos, porque não são capazes de reconhecer que a agilidade necessária para a direção (além de outras habilidades importantes, como a tomada de decisões) – são prejudicadas muito antes dos sinais físicos da embriaguez começar a surgir.
Outro engano comum é subestimar os efeitos da duração do álcool em nosso corpo. Alguns acreditam que parar de beber ou tomar um copo de café podem torná-los competentes a dirigir com segurança. A verdade é que o álcool continua a comprometer o cérebro, mesmo após a última dose, prejudicando a coordenação e a capacidade de julgamento até mesmo horas depois da ingestão de bebidas alcoólicas.
Álcool e violência:
O álcool é a droga mais associada à violência. Favorece a violência, rebaixa a crítica e aumenta a agressividade.
Dados do Ministério da Saúde mostram que a suspeita de ingestão de bebida alcoólica por parte do provável agressor foi relatada por 30,3% das mulheres vítimas de violências doméstica, sexuais e outras violências. Em 62,7% dos casos de violência contra mulheres, a agressão ocorreu em residência e 39,7% delas afirmaram já terem sido agredidas anteriormente. Tudo isto se intensifica nas festas de final de ano, já que o uso do álcool acaba se tornando mais “liberado”.
Um outro estudo brasileiro enfatiza o uso de álcool como um fator importante no processo de vitimização por homicídios em São Paulo. Entre os resultados, a pesquisa mostra que 43% das vítimas de homicídios analisadas apresentaram níveis de álcool no sangue superiores a 0,2g/l, e que 56,4% das vítimas mortas nos fins de semana estavam alcoolizadas, o que pode estar relacionado ao consumo de álcool de alto risco em bares e festas, mais comuns nesses dias.
Álcool e acidentes no mar:
A combinação de bebida alcoólica e banho de mar ou em rios, represas e cachoeira pode tornar-se arriscada, principalmente quando associada à imprudência e desconhecimento das áreas de perigo.  Estima-se que o uso de álcool esteja associado a cerca de 25 a 50% das mortes de adolescentes e adultos relacionadas a atividades recreativas aquáticas.
Adolescentes e álcool em festas de final de ano:
Quase 40% das crianças brasileiras de 10 a 12 anos matriculadas em escolas particulares consumiram bebida alcoólica ao menos uma vez na vida, segundo levantamento da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), divulgado esta semana. Na faixa etária dos 13 aos 15, a ingestão de álcool, pelo menos uma vez, aumenta para 72% dos estudantes da rede particular.
Entre 10 e 12 anos, 27,9% das crianças da rede pública experimentaram bebida pelo menos uma vez ante 38,5% dos matriculados em colégios pagos. De 13 a 15, 60,3% dos estudantes da rede pública tinham consumido álcool.
É neste momento também em que muitos adolescentes acabam sendo liberados a beber, acabam tendo o primeiro contato com o álcool nas festas de final de ano, muitas vezes com a permissão ou até incentivadas pelos pais.
Muitas vezes, as crianças e adolescentes também acabam vendo nos pais um exemplo (ruim) do consumo de álcool em festas de final de ano. A família deve estar atenta para que as crianças e adolescentes não assistam a comportamentos maléficos para a saúde.  
O fato é que o uso exagerado das bebidas em festas e comemorações pode criar aos adolescentes a falsa ideia de que o uso de drogas traz alegria e felicidade.
Portanto, em primeiro lugar, dê o exemplo. Evite beber, principalmente de forma abusiva e na frente de menores. Imponha limite e controle o acesso à bebida. Para isso é necessário saber com quem andam, aonde vão e os locais que frequentam.
É essencial que você preste bastante atenção no comportamento do seu filho, a fim de evitar possíveis problemas futuros. Sendo essencial também que você converse bastante com seu filho a fim de orientá-lo sobre os problemas que ela pode causar.
Como ficam os dependentes químicos em recuperação nesta época do ano? O que fazer para evitar recaídas?
Esta é uma época do ano em que muitos pacientes que estão limpos há algum tempo acabam recaindo. Por quê?
As festas podem aumentar a vulnerabilidade dos pacientes de risco. Um número enorme de recaídas ocorre nos supostos “momentos bons da vida”. Quando a pessoa está numa celebração, festa ou quando recebe uma notícia boa. A oferta do álcool acaba sendo maior e isto cria uma situação de risco.
O alcoolismo não é somente uma questão de falta de força de vontade. É um processo bioquímico.
Porém, muitas vezes os próprios familiares acham que podem oferecer ao alcoólatra meia taça de champanhe ou vinho só na hora do brinde do natal ou do final do ano, sem entender o processo da dependência. Porém, isto é extremamente maléfico ao dependente químico.  A molécula de etanol entra nas papilas gustativas e o cérebro já é alertado. Conforme o álcool começa a circular no organismo, o cérebro vai pedindo mais. É irrefreável. Para quem já perdeu o controle antes, é tudo ou nada. Por isto é importante que a família do dependente químico esteja alerta e tenha feito também o tratamento familiar.
Para que o dependente químico não recaia é necessário observar todos os passos de prevenção contra a recaída. Como isto funciona?
As estratégias de prevenção á recaída devem ser observadas ainda nas clínicas logo após a desintoxicação  e continuar na família, por TODA A VIDA.  Isto mesmo, por TODA A VIDA.
Elas têm o objetivo de ajudar o dependente a lidar com as situações em que há possibilidade de recair no uso de drogas.
A primeira e mais importante estratégia é estimular o dependente químico  a fugir dos lugares, dos hábitos e das pessoas com quem ele usava drogas. O prazer de usar droga e álcool fica registrado na memória corporal – independentemente de sua vontade. Os lugares, os hábitos, os odores, trazem à tona lembranças da “ativa” e isto pode ser letal para a recuperação.
O usuário deve se afastar das situações que provoquem seu desejo. Deve-se evitar falar sobre drogas ou assistir reportagens e filmes em que há cenas de uso. Cada um, dentro de sua nova maneira de viver, deve desenvolver formas ou habilidades para trabalhar com estas situações, porque elas aparecerão sempre, durante toda a vida. O fato é  que o usuário nunca mais se desvinculará da dependência. Então ele deverá manter-se atento à sua fragilidade. É como um paciente diabético, ele sempre será diabético, mas não precisa padecer com a diabetes, se seguir o tratamento. Porém deverá ficar em alerta total para o resto da vida. 
É importante que o dependente químico refaça e renove o compromisso consigo mesmo do “Só por hoje”. Procurar, só por hoje, viver este dia apenas, sem tentar resolver, de imediato, todos os problemas de sua existência.
É comum os pensamentos do dependente químico se voltarem para a bebida e a droga nestas festas, levando-o a algumas lembranças de falsas “alegrias” passadas, sensações de prazer.
Hoje, seus pensamentos devem ser de recuperação e não mais de “ativa”. E cada pensamento que ele cultiva pode levá-lo a um sentimento e comportamento de igual força, contribuindo para o impulso de beber ou se drogar.
É sabido que os pensamentos negativos nos convidam para sentimentos também negativos e desconfortáveis. Por isso, pensar de forma positiva, afirmativa e pró-ativa sobre si próprio e sobre todo o seu processo de recuperação é muito importante.
Por último, a  espiritualidade e qualidade de vida (honestidade, mente aberta e boa vontade) é de suma importância para a prevenção à recaída. Sem ela, não existe recuperação e com ela fica mais fácil vencer os obstáculos na caminhada rumo ao crescimento pessoal e à sobriedade. A disciplina também é uma ferramenta poderosa que o dependente químico pode ter em mãos.
Nesta época de final de ano, além de cuidados com a recuperação já recomendados, sugerimos que o dependente químico procure estar em dia com as leituras e reuniões dos 12 passos.  Pode-se participar das festividades, mas reconhecendo que há possibilidade de ter recaída, voltando a ser o que era ou até pior. Portanto deve-se por toda a vida evitar o primeiro gole. A abstinência é fundamental no tratamento da dependência química.
Em situações de emergência, o dependente não deve vacilar. É importante ficar pouco na festa ou local de risco e procurar não se testar. Se encontrar dificuldades, então dever compartilhar de imediato com seu grupo de apoio, com seu padrinho, lembrando-se que o silêncio é a pior resposta para quem está em recuperação.
Nos primeiros meses ou anos iniciais a fase de recuperação é importante que a família evite o uso de álcool em comemorações festivas, pois o dependente químico ainda está iniciando seu processo de recuperação e ainda não enfrentou grandes situações de exposição e risco. É necessário que haja preparação emocional para esses tipos de riscos e situações, às vezes inevitáveis. E que haja ainda, um “despertar” consciente de que tais situações ou pressões podem afetar os pensamentos, os sentimentos e, conseqüentemente, o comportamento, deixando o dependente químico bastante vulnerável.
Tenham em mente também que todo dia que um dependente químico fica sóbrio antes de uma recaída é extremamente valioso, tanto para o indivíduo quanto para sua família. Porém, se ocorre uma recaída, é muito importante voltar a procurar tratamento e obter o apoio necessário para não beber mais.






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