14 janeiro 2012

A raiz do problema

Álcool é uma das principais causas de mortes no mundo
Embora os malefícios apareçam somente aos 40 ou 50 anos de idade, o consumo começa na adolescência

Cerca de 15% dos alcoólatras morrerão de cirrose e 20% a 30% dos casos de câncer estão associados ao álcool. A afirmação, do psiquiatra Ronaldo Laranjeira, coordenador da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (Uniad) na Escola Paulista de Medicina da Unifesp, é chocante, mas retrata o cenário atual do Brasil, que ocupa o quarto lugar no ranking de países da América que mais consomem álcool, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). 

Considerada uma droga lícita, o álcool figura entre os quatro fatores de risco que desencadeiam doenças crônicas levando à morte, segundo relatório recém divulgado pela OMS. O cigarro, a má alimentação e o sedentarismo são as outras causas apontadas pelo órgão, o que significa que os aspectos comportamentais configuram os principais motivos de mortes no mundo. 

"A carga de doença ocasionada pelo álcool é muito alta, de 10% a 12% no Brasil, maior que o cigarro", ressalta o especialista, também PHD em dependência química na Inglaterra. Segundo ele, não há um controle social do álcool no País, onde existem aproximadamente 1 milhão de pontos de venda, e as propagandas comerciais são descontroladas, o que leva a um aumento do custo das doenças provocadas pela droga. 

No caminho de países da Europa que proíbem a propaganda do álcool ou mesmo os Estados Unidos, onde a idade mínima para o consumo é de 21 anos e a fiscalização é rigorosa, o Brasil assume um importante passo na saúde pública, na visão do psiquiatra. "A nova lei adotada pelo estado de São Paulo que proíbe o consumo e a venda de bebida alcoólica para menores de 18 anos é a principal medida de prevenção assumida atualmente no Brasil", destaca. Para ele, outra atitude "é a proibição da propaganda nos meios de comunicação, cujo projeto de lei tramita no Congresso", comemora. 

A raiz do problema 

Embora grande parte dos malefícios apareça entre os 40 e 50 anos de idade, é na adolescência que o consumo de álcool se inicia. Segundo o Dr. Laranjeira, 90% dos adultos alcoólatras começam a beber antes dos 18 anos. No entanto, é geralmente na fase adulta que os problemas comumente associados ao álcool se apresentam, como as doenças gastrointestinais e as cardiovasculares, o câncer, e as mortes violentas, incluindo acidentes de trânsito e homicídios. Por isso a importância dos pais se colocarem no papel de protagonistas nesta missão e assumirem o compromisso de controlar o consumo da bebida de seus filhos, não somente em ambientes externos, mas, sobretudo, dentro da própria casa. 

De acordo com a OMS, são três os padrões para o consumo de álcool. O primeiro é o beber de baixo risco, em que um homem adulto e saudável pode consumir, por dia, até dois copos de vinho, o equivalente a dois copos de chope ou 50 ml de destilado. No caso das mulheres, o aconselhado é a metade da dose, já que elas são mais sensíveis biologicamente. Ao ultrapassar esse limite, o indivíduo passa a fazer uso nocivo do álcool, mas ainda consegue passar dias longe da bebida. Quando, no entanto, ele sente a necessidade de consumir bebida alcoólica diariamente, pode ser considerado um dependente químico. Ao ‘beber socialmente’ aos finais de semana, somente, a pessoa acaba fazendo o uso nocivo do álcool, segundo o Dr. Laranjeira, já que o consumo geralmente excede o recomendado para um beber de baixo risco. 

Culturalmente aceitável e estimulado pela permissiva sociedade brasileira, o consumo excessivo de álcool no País segue presente nas drásticas estatísticas que remetem ao tema. Problema de saúde pública, a bebida alcoólica deve ser atacada pela raiz, seja no ambiente familiar ou ainda no controle das primeiras doses, pois qualquer passo adiante as consequências podem ser irreversíveis. 


                                                questão de saúde pública

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