15 fevereiro 2012

Alcoolismo e Comorbidade



É possível afirmar que a maioria das pessoas que dependem do álcool apresenta comorbidades adquiridas antes ou após o uso contínuo da substância.
Transtornos como depressão e ansiedade em excesso são muito comuns entre os alcoolistas.
Para um tratamento eficaz, é preciso combater o vício e as comorbidades de maneira integradas.
Comorbidade é quando algum outro quadro patológico – doença, transtorno – se associa ao quadro em questão – no caso a dependência ao álcool, segundo médicos e psicólogos.
Entre as comorbidades que levam à dependência, a hiperatividade é uma das principais vilãs. “Cerca de 50% dos hiperativos podem se tornar dependentes do álcool”, alerta a psicóloga Maria Christina de Queiroz Lacerda, do Centro Paulista de Recuperação (CPR), unidade do Grupo Viva em Vargem Grande Paulista.
Além da hiperatividade, outros transtornos como o transtorno do humor bipolar – pelo qual a pessoa oscila de humor constantemente, indo da depressão à euforia de forma muito rápida -, e também o transtorno de ansiedade. “Nesses casos, até acontece a sensação de um alívio imediato após ingerir bebida alcoólica, mas é uma falsa impressão, porque se a pessoa é depressiva, por exemplo, este sentimento vai se intensificar após passar o efeito do álcool”, diz.
Entre as comorbidades contraídas após a instalação da dependência, podem ser colocadas como exemplo a alucinose alcoólica, na qual o dependente apresenta uma fuga da realidade, criando um mundo paralelo. Já outra conseqüência é a síndrome de Wernick -Korsakoff, que causa, entre outras coisas, a perda da memória recente e a falta de coordenação motora.
Esta, em alguns casos, dependendo da seqüela após tanto tempo de consumo de álcool, pode ser irreversível. A violência pode surgir, em certos casos, como as conseqüências mais cruéis das comorbidades.
Tratamento
De acordo com a psicóloga Maria Christina, o tratamento ao alcoolista deve ser de forma integrada, começando por identificar as comorbidades, transtornos, tratando-as com psicoterapia e medicamentos. Ao mesmo tempo, deve se tratar a dependência, com o programa terapêutico desenvolvido pelo Grupo Viva.
“Acreditamos que o tratamento, para ser eficaz, tem que ter esse caráter multidisciplinar, agindo tanto no aspecto físico e químico da saúde, quanto no psíquico. E temos tudo isso aqui dentro”, diz.


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