23 março 2012

Coma alcoólico em meninas


Crescem os casos de coma alcoólico entre meninas

23 Março 2012  
fonte : RNW
Já é sabido há tempos: jovens holandeses estão entre os que mais consomem bebidas alcoólicas na Europa. Mas as novas cifras revelam um quadro preocupante de meninas de 14, 15 anos que bebem até entrar em coma.
“Puta que pariu”, diz a adolescente. O xingamento sai quando seu irmão conta que a mãe já sabe de sua situação e a está esperando ao lado da ambulância. Ela não consegue dizer mais que ‘sim’ e ‘não’ quando o enfermeiro pergunta se ela bebeu, se usou drogas e se foi divertido. Quando ele pergunta que idade ela tem, ela diz 15. Mas não é verdade. De acordo com a mãe, acaba de completar 14.

Cada vez mais jovens

Ela é uma dos 2300 adolescentes que todo ano acabam no hospital por terem bebido demais. Por sorte ela ainda consegue mentir sobre sua idade. Setecentos destes jovens bebem tanto que entram em coma e não podem dizer mais nada. E entre eles há cada vez mais meninas, segundo cifras da organização ‘Consument en Veiligheid’ (consumidor e segurança). Se antigamente eram principalmente meninos que bebiam até cair, agora os sexos estão de igual para igual. E as meninas começam a beber cada vez mais jovens.
Uma das causas são os drinks doces e coloridos que chegaram ao mercado na virada do século e que as meninas adoram. Elas bebem como limonada, diz o pediatra Nico van der Lely à rádio holandesa VPRO. E é fácil consegui-los:
“Tem a ver com a sociedade, com a disponibilidade de bebida. Eles podem conseguir tudo com facilidade. E lucra-se deliberadamente com esta geração. Tenha consciência que se você bebe quando muito jovem, estará até 400% mais propenso a ter problemas com bebida quando adulto.”
Sequência de coisas ruins
De acordo com o paramédico que atendeu a menina de 14 anos na ambulância, muita coisa mudou nos últimos anos:
“Adolescentes cada vez mais novos saem na noite, e eles já começam a beber em casa. Vão só mais tarde para o centro, quando em geral já beberam bastante. Então já chegam bêbados aos bares e casas noturnas.”
As consequências do consumo excessivo de álcool a curto e longo prazo podem ser enormes, adverte Van der Lely:
“Muitas vezes eles chegam aqui com hipotermia, o que pode causar arritmias cardíacas. A duração média de um coma alcoólico é em torno de 3 horas, mas atendemos uma menina que ficou em coma por 18 horas. E metade das meninas passam a ter pior desempenho escolar pelo uso do álcool. Uma em cada quatro também sofre algum tipo de abuso sexual. As meninas ficam excitadas quando bebem e fazem coisas que não fariam em outra situação. Algumas são encontradas vomitando no banheiro e com a calcinha no tornozelo. Portanto, é uma sequência de coisas ruins.”
Menos inteligentes
Alguns dizem que está surgindo na Holanda uma geração de bêbados, que também é menos inteligente pelos danos causados aos vulneráveis cérebros adolescentes. Isso poderá custar caro à sociedade. Além dos comas alcoólicos, acidentes relacionados com o consumo de bebidas provocam milhares de vítimas todos os anos.
Já há no país policlínicas especiais para pacientes em coma alcoólico. O diretor de hospital Herre Kingma sugeriu recentemente que, para que adolescentes e jovens tenham mais responsabilidade na hora de beber, os custos do atendimento a casos relacionados ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas deveriam ser pagos pelos próprios jovens ou por suas famílias, mas o governo e os seguros de saúde consideraram a ideia inadequada e inviável.

Proibição

A organização ‘Consument en Veiligheid’ acha que a idade mínima para que jovens possam consumir álcool deveria subir de 16 para 18 anos, como já é o caso em 20 dos 27 Estados-membros da União Europeia. Mas o governo holandês está adiando esta decisão, segundo a organização, porque sabe que com isso perderia de 3 a 4 bilhões de euros em impostos. Outra medida sugerida é que o controle sobre a venda de bebidas alcoólicas para menores seja mais rígido e que as garrafas tragam alertas sobre os perigos do consumo, como os maços de cigarro.
E os pais também têm que ser mais rígidos. Muitos defendem a ideia de que é melhor que os adolescentes tomem contato com a bebida no ambiente doméstico. Mas segundo especialistas, o melhor é simplesmente proibir, inclusive para adolescentes maiores de 16 anos.



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