29 março 2012

Tragédia motivou campanha "Não foi acidente"


Drama motiva campanha “Não Foi Acidente"

O velocímetro do automóvel que atropelou e matou ano passado a dona de casa Miriam Baltresca e sua filha Bruna travou em 100km/h
Aquele 17 setembro de 2011 era mais um sábado de lazer para Miriam Baltresca, de 58 anos, e sua filha Bruna, de 28. Elas foram ao shopping Villa-Lobos, na zona oeste de São Paulo, compraram um livro e iriam para casa. No caminho delas, porém, havia um motorista alcoolizado: Marcos Alexandre Martins. Ele atropelou e matou as duas, deixando órfão de mãe e irmã Rafael Baltresca, que já tinha perdido o pai sete anos antes para um enfarte. 

A morte foi na calçada da marginal Pinheiros. Martins dirigia um Golf preto em alta velocidade pela pista local da via quando perdeu o controle do veículo. Mãe e filha foram prensadas contra o portão e o muro de uma casa enquanto iam buscar o carro delas, estacionado em uma via vizinha ao shopping. Miriam morreu na hora. Bruna, a caminho do hospital. O ponteiro do velocímetro travou marcando 100 km/h (o limite de velocidade na pista local da via é de 70 km/h). 

Martins chegou a ser preso. Após pagamento de fiança, aguarda em liberdade a conclusão do inquérito que investiga o caso. Rafael, filho e irmão das vítimas, espera que ele responda por homicídio doloso (quanto há intenção). “Porque quem bebe e dirige assume o risco de acidente.” 

Rafael poderia lutar só pelo indiciamento, mas quer mais. Dois meses depois do atropelamento, fundou o movimento “Não Foi Acidente”, que busca alterar alguns pontos da legislação. “Não acontece nada com quem dirige e mata. Isso tem de mudar.”

Rafael diz que sua intenção é evitar a impunidade e o sofrimento de outras famílias. Para ele, a alteração na lei também tem caráter educativo. “Para que as pessoas vejam que a lei é séria e que os culpados serão punidos.”

Veja a entrevista feita pelo Metro com Rafael Baltresca, idealizador de uma campanha que visa aumentar o rigor da Lei Seca em todo o Brasil.

Por que chamar o movimento de “Não Foi Acidente”?

Porque acidente é algo que você não espera. Você está andando e cai um vaso na sua cabeça. Foi um acidente. Quando alguém bebe e dirige, não é mais acidente. A pessoa assume o risco. Pode acontecer algo ou não, mas se sabe que as chances são grandes. Quem bebe e dirige está cometendo um crime. 

Você viveu um drama pessoal forte, mas, em vez de se deixar abater, resolveu lutar. O que move você?

Minha irmã era advogada. Ela não deixava nada barato. Ela era muito justa. Se eu tivesse ido no lugar dela, ela faria isso por mim. Faço isso por ela, pela minha mãe e por tantas pessoas que se foram. Se não tiver um movimento, um grupo de pessoas que brigue com este sistema, a gente vai ter de engolir os mortos de muitas famílias. A hora é esta. 

O Brasil tem de fazer uma revolução. Todo mundo tem de entrar nesta para acabar com tanta impunidade, brechas nas leis e leis frouxas, para que possamos ter uma conscientização real de que podemos ser felizes bebendo em casa e ver que é possível sair e não beber, caso a pessoa esteja dirigindo.


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