21 setembro 2015

COMO É SER O CARA QUE NÃO BEBE !




Sou obrigado a dizer que não bebo quando alguém me oferece algo e, assim que o faço, passo exatamente pelo mesmo processo: careta seguida de “por quê?” e, depois, de “mas você nunca bebeu?”. Tenho consciência de que sou o diferente (leia-se estranho) e não ligo de responder, rola até um script: “porque não gosto”, “bebia, sim, na adolescência, mas resolvi parar”, seguido por uma tentativa de mudança de assunto.

Quando não consigo mudar, tenho de dizer que sempre achei cerveja ruim e, em quase todos os casos, ouço que isso é normal, que dificilmente você acha cerveja gostosa no começo, mas depois se acostuma. Espera, você quer dizer que é normal se forçar a fazer algo desagradável porque todo mundo diz que é? Normal pra você, não pra mim. Aí vem o papinho de que sem bebida não tem graça, o que eu acho uma afirmação absurda. Muita gente fica em casa quando não pode beber porque tem certeza absoluta de que não vai se divertir, sendo que me vê fazer isso há anos.

Mesmo quando é notável que estou me divertindo, tem quem insista que eu me divertiria mais se estivesse bebendo, sob justificativa de que eu não estou acompanhando a vibe dos demais. Isso é bem engraçado porque, na verdade, mais do que seguir vibes alheias, eu sou o único ali com condições reais de saber o que se passa no ambiente. Fora isso, sou quem pode dirigir pra casa em segurança e quem não será enrolado pelo caixa que fechar minha comanda…

É de se entender que algumas pessoas dependem de álcool pra se soltar, e mais do que justificável que outras tantas usem pra relaxar. Eu respeito esse direito, por isso, seria legal se respeitassem o meu também.

A maioria dos meus amigos bebem, muitos familiares bebem, não tenho preconceito.

Misael Barboza - Abstêmio desde OUT/2007

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